O
PROCESSO DE ENSINO NUM CONTEXTO DE APRENDIZAGEM ONLINE
(Anderson, 2004)
A PRESENÇA DE ENSINO
Contrariamente
daquilo que muitas pessoas pensam, aprender e ensinar num contexto online não
tem muita diferença com o modelo de ensino e aprendizagem tradicional, ou seja,
aquele que usualmente chamamos de ensino presencial. É óbvio que existem
algumas particularidades que definitivamente marcam uma espécie de ruptura
entre os dois. Contudo, expressando de outra forma, o novo e o velho se
convivem pacificamente na diferença. No ambiente presencial é muito valorizado
o contacto e a interacção dita “olha no olho”. Num ambiente online, as
variáveis tempo e espaço são tidas como o cântico da sereia. A flexibilidade de
poder aprender sem estar condenado e aprisionado entre quatro paredes e o não cumprimento
de um horário extremamente rígido constituem, sem dúvida, características sui generis desta modalidade de ensino. A
utilização dos formatos multimédia para a concepção de ambientes colaborativos
de aprendizagem, tornou mais atractivo a aprendizagem com recurso à internet, sem
contar ainda que, este modelo revolucionou todo um sistema que durante séculos
manteve reservado a poucos e, portando, escancarou as portas do mundo,
democratizou o ensino e a aprendizagem, demolindo completamente as fronteiras físicas
e geográficas. Estes e tantos outros atributos, têm sido considerados
argumentos plausíveis para que a EaD se tornasse, em nossos dias, um dos meios
mais procurados para se aprender. Porém, em situações normais de ensino
aprendizagem, tal como em regimes presenciais, os conteúdos são devidamente
negociados, as actividades são muito bem planeadas e a avaliação da
aprendizagem rigorosamente aplicadas.
Garrison,
Anderson e Archer (2000), desenvolver uma modelo para ensinar e aprender
online, o chamado modelo de “comunidade de aprendizagem”. Para estes autores a
existência de três tipos de presenças (presença social, presença cognitiva e
presença de ensino) são fundamentais para se efectivar uma aprendizagem
profunda e significativa.
Presença cognitiva – esta presença ocorre num ambiente
que estimula o desenvolvimento das capacidades do pensamento crítico. O aluno é
induzido e estimulado a desenvolver um conjunto de habilidades cognitivas que o
projecta em determinados conteúdos.
Presença social – é imprescindível que se crie um
ambiente onde os aprendizes se sintam á vontade. Para se poder falar de uma
aprendizagem colaborativa em ambiente virtual na sua essência, os intervenientes
devem se sentir livres para se expressarem os seus pontos de vista sem receios
de qualquer tipo de represálias (por exemplo a avaliação negativa). É
importante que se crie um ambiente onde todos possam ouvir e serem ouvidos e
onde o respeito pelas opiniões sejam palavras de ordem.
Presença de ensino – não mais importante, contudo
extremamente complexo, o professor deve desempenhar cabalmente o seu papel e, a
verdadeira presença de ensino implica necessariamente:
1.
Concepção e organização das experiências de
aprendizagens que ocorrem em momentos diferentes, ou seja, antes e durante da
organização e do funcionamento da comunidade de aprendizagem;
2.
Implementação de actividades que promovem a
liberdade para que se discutem os assuntos entre todos os intervenientes do
processo de ensino e aprendizagem (alunos e alunos, alunos e professores,
individualmente ou em grupo);
3.
Exigência sobre a figura do professor que deva
extrapolar os limites, indo muito mais de que um orientador das práticas
educativas. É lhe requerido que seja capaz de, usando a sua expertise, fazer
emergir novos conhecimentos que serão compartilhados com os seus alunos.
Para solidificar
a presença do ensino é importante que o professor:
ü
Conceba e organiza os conteúdos dos cursos, das
actividades de aprendizagens e a sua respectiva grelha de avaliação;
ü
Negocia os conteúdos do programa e as
actividades como forma de aumentar a autonomia dos alunos e manter também um
certo nível de controlo;
ü
Motiva, orienta e apoia a aprendizagem dos seus
alunos com recursos a avaliação formativa constantes como forma de fazer um
acompanhamento pontual dos mesmos;
ü
Crie a possibilidade dos alunos se aperceberem
de quão importante é a sua motivação pessoal sobre os conteúdos e as
actividades a realizar para que o seu sucesso seja efectivamente garantido;
ü
Aposta na “interacção didáctica guiada” que
possibilitará a apresentação dos conteúdos de uma forma nova e deferente, num
estilo conversacional. Este estilo auxilia o aluno a identificar-se de forma
personalizada com o professor;
ü
Cria recursos de aprendizagem interactivos e
ambientes de aprendizagem colaborativa;
ü
Propõe prazos de elaboração e entrega de tarefas
que são realizadas individualmente ou em grupos
Segundo
Anderson, as várias pesquisas no campo da aprendizagem online, têm
proporcionado dois modelos que se concorrem entre si, cada um com a sua plateia
de simpatizantes e cada um sustentado pelo seu próprio postulado teórico.
O modelo de comunidade de aprendizagem aposta
fortemente na criação de uma sala de aula virtual, com ambiente de aprendizagem
que privilegia a comunicação síncrona e assíncrona. A versão sincrónica tem a
pretensão de se assemelhar com uma sala de aula de regime presencial, mas por
outro lado, quase que “obriga” os alunos a estarem todos no mesmo horário para se
poderem comunicar e, esta situação pode agravar quando os alunos são de países
e regiões com fusos horários diferentes. A versão assíncrona da sala de aula
virtual tem a particularidade de colmatar esta questão do horário, mas também
pode proporcionar uma maior dificuldade no tocante á coordenação, fazendo com
que os alunos se sentirem um tanto quanto dispersos um do outro, limitando a
interacção.
O outro modelo
de aprendizagem online, é o chamado modelo
de estudo independente, em que o estudante realiza de forma sólida as suas actividades
e tem o controlo sobre o seu próprio ritmo de aprendizagem. Este modelo
enfatiza o trabalho de grupo e a aprendizagem colaborativa.
Para Anderson,
felizmente, é possível conciliar estes dois modelos, ou seja, as actividades
síncronas, assíncronas e de estudo independente, todos reunidos num único curso
só. Assim, para este autor, os
professores devem conceber e organizar o contexto de aprendizagem online que
permita mesclar todas as versões e adequá-las as necessidades dos estudantes, às competências e estilo do professor e á
capacidade técnica e institucional.
Um outro factor
importante para a presença do professor é a forma como encarna o seu papel de
facilitador do discurso. O crescimento intelectual do estudante acontece se
este tiver a capacidade de produzir o seu próprio argumento para debater, expor
suas ideias, construir e reconstruir os seus pontos de vista, criticar,
corrigir e compartilhar. O professor deve estar ciente para apoiar regularmente
os estudantes, orientá-los nesta caminhada quer seja de forma individualizada
quer quando estão trabalhando em grupos.
Portanto,
segundo Anderson, uma das tarefas mais importantes do professor que trabalha
como ensino online é a de criar um clima de grande confiança nos seus alunos,
para que estes podem sentir seguros e motivados para a aprendizagem. se os
alunos não se sentirem seguros terão grandes dificuldades em se expressar nos
post e nos fóruns de actividades.(…)