Depois de termos
apresentado o nosso Ensaio, foi-nos proposto a elaboração, em grupo, de quatro
verbetes. Divididos os grupos, coube-nos desenvolver o tema: "blogue na
educação", de que apresentaremos, a seguir, a versão Zero.
VERBETE (O BLOGUE NA
EDUCAÇÃO)
O Blog
1. Conceito e abrangência
Cunhada pela
primeira vez em Dezembro de 1997 pelo norte americano Jorn Barger, a expressão Weblog, ou blog como é
popularmente conhecido, designa um tipo de página publicada na internet com
entradas controladas por datas em ordem cronológica reversa (do mais recente ao
mais antigo), onde as pessoas podem logar, ou seja, entrar,
conectar, gravar, escrever
sobre díspares assuntos, comentar e transcrever e, por isso mesmo, chamado de
“diários virtuais”.
Podendo ser
criados, editados e publicados por qualquer pessoa, sem que a mesma possua
muito conhecimento técnico, os weblogs são
extraordinariamente dinâmicos por apresentarem nas suas estruturas internas
poucas subdivisões, comportarem um seguimento de textos curtos chamados de posts(acompanhados
de data e hora de postagem) que propiciam uma intensa troca de informações
actualizadas frequentemente, e disponibilizarem também um grande número de
links para as postagens mais antigas e para outros weblogs e sites. Esta
dinâmica é ainda maior quando se associa aos textos, imagens, sons e vídeos, o
que os tornam excelentes espaços de compartilha, onde todos os membros da
comunidade possam trocar as suas experiências, agir e interagir.
A
classificação dos blogs não tem gerado consenso, pois á medida que vão sendo
criados e publicados mais blogs na internet, vão surgindo novas tentativas de
classificação. Porém, o professor e pesquisador da cibercultura e mídias
sociais Alex Primo[1],
delineou quatro tipos de blogs: blog pessoal, blog profissional, blog grupal e
blog operacional e subdividiu cada um deles em quatro géneros: auto-reflexivo,
informativo interno, informativo e reflexivo[2].
O blog
pessoal é aquele em que o blogger expõe os seus sentimentos e relata o seu
dia-a-dia de forma despretensiosa. O seu principal objectivo é interagir com os
outros e, portanto, motivado unicamente pelo prazer de “bloguear”. Ver exemplo
O blog
profissional, é escrito por uma pessoa que é especialista em uma determinada
área e que atua neste ramo profissional, com reconhecido mérito,
independentemente de possuir ou não educação formal neste ramo. Ver exemplo
O blog
grupal é produzido por mais de uma pessoa que tenham os mesmos interesses sobre
determinados assuntos. Contudo, isto não significa que as opiniões individuais
não são atendidas. Cada um pode escrever individualmente e apresentar pontos de
vistas diferentes sobre a mesma matéria. Ver exemplo
O blog
organizacional é também produzido por mais de uma pessoa, mas aqui, a interação
com o exterior, com a audiência, se impõe na criação dos posts. Como membros de
uma organização, os bloggers têm a responsabilidade de transmitirem, não os
seus pontos de vistas mas os da organização que representam e, portanto, o que
deve vir em primeiro lugar é o sucesso da organização.
Ver exemplo
Durante o
seu processo de evolução, os blogs têm vindo a servir como autênticas
ferramentas de expressão quer individual quer colectiva. Constituem,
inequivocamente, como ambientes de construção cooperativa e colaborativa de
conhecimento e, portanto, como um potencial que perpassa, em cada uma à de sua
maneira, todas as áreas de intervenção humana. De facto, prova disto, é o
aumento exponencial do número de blogs criados nos últimos tempos. Segundo o
site technorati, a web já conta com mais
de 200 milhões de blogs em todo o mundo nos mais variados idiomas e sobre uma
infinidade de assuntos.
Esta demanda
crescente redireccionou a forma de publicação dos Weblogs, que passou da
publicação individual para adoptar também a forma de publicação em co-autoria.
Constituindo-se como autênticas redes, os Weblogs transformaram-se
definitivamente numa comunidade virtual, usualmente chamada de blogosfera.
Os weblogs
apresentam um conjunto de características que os diferencie das demais
ferramentas de comunicação online. A especialista em educação Michele de Araújo[3]
é de opinião de que os Weblogs devem
caracterizar-se por:
Dadas as
suas características, os weblogsapresentam-se
como verdadeiros armazéns de informações e extraordinários espaços virtuais de
compartilha.
A aprendizagem colaborativa pressupõe
interacção, onde o educador ao mesmo tempo que ensina aprende, questiona sobre
a sua prática. Da mesma forma o educando ao mesmo tempo que aprende, procura
respostas ás suas duvidas e incertezas e portanto ensina.[5]
Esta forma livre de ensinar e aprender promove o trabalho colectivo, onde
professores e alunos são parceiros de aprendizagem. Uma parceria num processo
em que todos ensinam e aprendem.[6]
A evolução dos blogues tem concorrido não só
para exibir novas criatividades, mas também, e sobretudo, abrir novas
potencialidades em termos comunicacionais e em termos pedagógicos. E, portanto,
a exploração do blog na educação pode ocorrer-se em duas vertentes distintas: a
exploração do blogue enquanto recuso e a sua exploração enquanto estratégias
pedagógicas.
Enquanto estratégia de exploração pedagógica,
o desenrolamento do blog deverá estar a cargo dos alunos. A vida do blog gira á
volta dos mesmos, que o alimenta com informações, ilustrações e comentários.
São eles próprios autores e co-autores do espaço. Portanto, aqui o objectivo
principal não é a criação de condições de acesso á informação postada pelos
professores mas sim que os próprios alunos exploram todas as suas
potencialidades através do blog, desenvolvendo actividades que os possibilita
programar os objectivos e construir as competências que pretendem fomentar e
fortalecer. Ao professor cabe o papel de orientador. Explorados desta forma, os
blogs transformam-se em verdadeiras estratégias de ensino e aprendizagem,
espaços para despertar nos alunos o espirito de pesquisa, de reflexão e de
autonomia
Referencias:
ARAUJO, M.C.M.U. Potencialidades do Uso do Blog em Educação.
2009. 207 f. Dissertação (mestrado em educação) - Universidade Federal do Rio
Grande do norte – PPGED/UFRN., 2009, Natal
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. 25ed. Rio de Janeiro: Paz e
Terra, 2002.
GOMES, M. J. & LOPES, A. M. Blogues escolares: quando,
como e porquê? Crie: Centro de competências CRIE da ESE de Setúbal, 2007, 117-
133
GUTIERREZ, S. S. Projeto
Zaptlogs: as tecnologias educacionais informatizadas no trabalho de
educadores. In: Novas tecnologias na Educação, CINTED-UFRGS, V.1 Nº2, Setembro,
2003, Poto Alegre
PRIMO, A. Blogs e seus géneros: avaliação estatística dos 50
blogs mais populares em língua portuguesa. In: congresso Brasileiro de ciências
da comunicação, 31., 2008, Natal
VALENTE, C. Second Life e Web 2.0 na educação: o potencial
revolucionário das novas tecnologias. São Paulo: Novatec Editora, 2007.

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