quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

blogue na educação

Depois de termos apresentado o nosso Ensaio, foi-nos proposto a elaboração, em grupo, de quatro verbetes. Divididos os grupos, coube-nos desenvolver o tema: "blogue na educação", de que apresentaremos, a seguir, a versão Zero.


 VERBETE (O BLOGUE NA EDUCAÇÃO)


O Blog

1. Conceito e abrangência

Cunhada pela primeira vez em Dezembro de 1997 pelo norte americano Jorn Barger, a expressão Weblog, ou blog como é popularmente conhecido, designa um tipo de página publicada na internet com entradas controladas por datas em ordem cronológica reversa (do mais recente ao mais antigo), onde as pessoas podem logar, ou seja, entrar, conectar, gravar, escrever sobre díspares assuntos, comentar e transcrever e, por isso mesmo, chamado de “diários virtuais”.

Podendo ser criados, editados e publicados por qualquer pessoa, sem que a mesma possua muito conhecimento técnico, os weblogs são extraordinariamente dinâmicos por apresentarem nas suas estruturas internas poucas subdivisões, comportarem um seguimento de textos curtos chamados de posts(acompanhados de data e hora de postagem) que propiciam uma intensa troca de informações actualizadas frequentemente, e disponibilizarem também um grande número de links para as postagens mais antigas e para outros weblogs e sites. Esta dinâmica é ainda maior quando se associa aos textos, imagens, sons e vídeos, o que os tornam excelentes espaços de compartilha, onde todos os membros da comunidade possam trocar as suas experiências, agir e interagir.

A classificação dos blogs não tem gerado consenso, pois á medida que vão sendo criados e publicados mais blogs na internet, vão surgindo novas tentativas de classificação. Porém, o professor e pesquisador da cibercultura e mídias sociais Alex Primo[1], delineou quatro tipos de blogs: blog pessoal, blog profissional, blog grupal e blog operacional e subdividiu cada um deles em quatro géneros: auto-reflexivo, informativo interno, informativo e reflexivo[2].

O blog pessoal é aquele em que o blogger expõe os seus sentimentos e relata o seu dia-a-dia de forma despretensiosa. O seu principal objectivo é interagir com os outros e, portanto, motivado unicamente pelo prazer de “bloguear”. Ver exemplo

O blog profissional, é escrito por uma pessoa que é especialista em uma determinada área e que atua neste ramo profissional, com reconhecido mérito, independentemente de possuir ou não educação formal neste ramo. Ver exemplo

O blog grupal é produzido por mais de uma pessoa que tenham os mesmos interesses sobre determinados assuntos. Contudo, isto não significa que as opiniões individuais não são atendidas. Cada um pode escrever individualmente e apresentar pontos de vistas diferentes sobre a mesma matéria. Ver exemplo

O blog organizacional é também produzido por mais de uma pessoa, mas aqui, a interação com o exterior, com a audiência, se impõe na criação dos posts. Como membros de uma organização, os bloggers têm a responsabilidade de transmitirem, não os seus pontos de vistas mas os da organização que representam e, portanto, o que deve vir em primeiro lugar é o sucesso da organização. Ver exemplo

Durante o seu processo de evolução, os blogs têm vindo a servir como autênticas ferramentas de expressão quer individual quer colectiva. Constituem, inequivocamente, como ambientes de construção cooperativa e colaborativa de conhecimento e, portanto, como um potencial que perpassa, em cada uma à de sua maneira, todas as áreas de intervenção humana. De facto, prova disto, é o aumento exponencial do número de blogs criados nos últimos tempos. Segundo o site technorati, a web já conta com mais de 200 milhões de blogs em todo o mundo nos mais variados idiomas e sobre uma infinidade de assuntos.

Esta demanda crescente redireccionou a forma de publicação dos Weblogs, que passou da publicação individual para adoptar também a forma de publicação em co-autoria. Constituindo-se como autênticas redes, os Weblogs transformaram-se definitivamente numa comunidade virtual, usualmente chamada de blogosfera.

 

2. Caracterização

Os weblogs apresentam um conjunto de características que os diferencie das demais ferramentas de comunicação online. A especialista em educação Michele de Araújo[3] é de opinião de que os Weblogs devem caracterizar-se por:

Serem extremamente fácil de criar e publicar;

Terem uma estrutura hipertextual, ou seja, trincafiadas de links;

Utilizarem textos usualmente resumidos e bem uniformizados;

Permitirem acesso gratuito do conteúdo ao público;

Serem alimentados por comentários pessoais, partindo de pontos de vista particular;

Serem contextualizados e interpretados através de comentários;

Estarem permanentemente a ser actualizados;

Possuírem a mobilidade de ligação com outros textos;

Dadas as suas características, os weblogsapresentam-se como verdadeiros armazéns de informações e extraordinários espaços virtuais de compartilha.

3. O blogue na educação

As ferramentas tecnológicas impuseram um rumo transformacional das sociedades modernas. O aparecimento e a expansão acelerada das tecnologias de informação e comunicação têm revolucionado completamente o pulsar das pessoas e das instituições. No âmbito da educação, estas tecnologias vem ganhando terreno e é possível conjecturar a quantidade de situações e contextos onde a sua utilização pode gerar oportunidades para mudança nas relações de ensino e aprendizagem, tornando-as mais personalizadas sociais e flexíveis[4]. Inserem-se, neste contexto, os blogs, como sendo importantes ferramentas comunicacionais e de interacção, potencializadores de um ambiente excepcional de aprendizagem colaborativa.

A aprendizagem colaborativa pressupõe interacção, onde o educador ao mesmo tempo que ensina aprende, questiona sobre a sua prática. Da mesma forma o educando ao mesmo tempo que aprende, procura respostas ás suas duvidas e incertezas e portanto ensina.[5] Esta forma livre de ensinar e aprender promove o trabalho colectivo, onde professores e alunos são parceiros de aprendizagem. Uma parceria num processo em que todos ensinam e aprendem.[6]

A evolução dos blogues tem concorrido não só para exibir novas criatividades, mas também, e sobretudo, abrir novas potencialidades em termos comunicacionais e em termos pedagógicos. E, portanto, a exploração do blog na educação pode ocorrer-se em duas vertentes distintas: a exploração do blogue enquanto recuso e a sua exploração enquanto estratégias pedagógicas.

3.1. O blogue como recurso pedagógico

Enquanto recurso, o blog pode apresentar duas abordagens. Numa primeira abordagem pode se assistir à sua utilização, alheio à escola e muitas vezes, à margem do âmbito escolar. Ou seja, o professor recorre-se de um ou mais blogs criados em outros contextos por profissionais credíveis, contendo informações pertinentes sobre a disciplina que lecciona e apresenta-o como uma fonte para consulta dos alunos. Comumente são blogs não institucionais, criados a nível pessoal que, no entanto, fornecem matérias importantes e confiáveis. Contudo, pode-se encontrar um grande número de blogs que não possuem uma identificação clara de seus autores e, portanto, é imprescindível que os professores, antes de indicarem blogs não institucionais aos alunos, façam uma análise cuidadosa da cientificidade do seu conteúdo. Uma outra abordagem consiste na criação do blog pelo próprio professor ou então por um grupo de professores onde expõem as informações, os materiais de trabalho, o programa e as bibliografias das disciplinas que leccionam. Portanto, nestes casos, são os próprios professores que dinamizem o espaço e os alunos assumem uma posição relativamente passiva, cingindo-se apenas na leitura das informações dos posts. Podem, casualmente fazer comentários de algumas mensagens ali postadas[7].

3.2. O blogue como estratégia pedagógica

Enquanto estratégia de exploração pedagógica, o desenrolamento do blog deverá estar a cargo dos alunos. A vida do blog gira á volta dos mesmos, que o alimenta com informações, ilustrações e comentários. São eles próprios autores e co-autores do espaço. Portanto, aqui o objectivo principal não é a criação de condições de acesso á informação postada pelos professores mas sim que os próprios alunos exploram todas as suas potencialidades através do blog, desenvolvendo actividades que os possibilita programar os objectivos e construir as competências que pretendem fomentar e fortalecer. Ao professor cabe o papel de orientador. Explorados desta forma, os blogs transformam-se em verdadeiras estratégias de ensino e aprendizagem, espaços para despertar nos alunos o espirito de pesquisa, de reflexão e de autonomia

 
 

Referencias:

ARAUJO, M.C.M.U. Potencialidades do Uso do Blog em Educação. 2009. 207 f. Dissertação (mestrado em educação) - Universidade Federal do Rio Grande do norte – PPGED/UFRN., 2009, Natal

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. 25ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002.

GOMES, M. J. & LOPES, A. M. Blogues escolares: quando, como e porquê? Crie: Centro de competências CRIE da ESE de Setúbal, 2007, 117- 133

GUTIERREZ, S. S. Projeto  Zaptlogs: as tecnologias educacionais informatizadas no trabalho de educadores. In: Novas tecnologias na Educação, CINTED-UFRGS, V.1 Nº2, Setembro, 2003, Poto Alegre

PRIMO, A. Blogs e seus géneros: avaliação estatística dos 50 blogs mais populares em língua portuguesa. In: congresso Brasileiro de ciências da comunicação, 31., 2008, Natal

VALENTE, C. Second Life e Web 2.0 na educação: o potencial revolucionário das novas tecnologias. São Paulo: Novatec Editora, 2007.

 



[1] Primo, A. (2008).
[2] Araújo, M. (2009).
[3] Araújo, M. (2009)
[4] Valente, C. (2007)
[5] Gutierrez, S. (2003).
[6] Freire, P. (2002).
[7] Gomes, M. J. & Lopes, A. M. (2007)

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