terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Aprendizagem Online


Um olhar sobre

O PROCESSO DE ENSINO NUM CONTEXTO DE APRENDIZAGEM ONLINE (Anderson, 2004)

                                                                                                                   A PRESENÇA DE ENSINO

Contrariamente daquilo que muitas pessoas pensam, aprender e ensinar num contexto online não tem muita diferença com o modelo de ensino e aprendizagem tradicional, ou seja, aquele que usualmente chamamos de ensino presencial. É óbvio que existem algumas particularidades que definitivamente marcam uma espécie de ruptura entre os dois. Contudo, expressando de outra forma, o novo e o velho se convivem pacificamente na diferença. No ambiente presencial é muito valorizado o contacto e a interacção dita “olha no olho”. Num ambiente online, as variáveis tempo e espaço são tidas como o cântico da sereia. A flexibilidade de poder aprender sem estar condenado e aprisionado entre quatro paredes e o não cumprimento de um horário extremamente rígido constituem, sem dúvida, características sui generis desta modalidade de ensino. A utilização dos formatos multimédia para a concepção de ambientes colaborativos de aprendizagem, tornou mais atractivo a aprendizagem com recurso à internet, sem contar ainda que, este modelo revolucionou todo um sistema que durante séculos manteve reservado a poucos e, portando, escancarou as portas do mundo, democratizou o ensino e a aprendizagem, demolindo completamente as fronteiras físicas e geográficas. Estes e tantos outros atributos, têm sido considerados argumentos plausíveis para que a EaD se tornasse, em nossos dias, um dos meios mais procurados para se aprender. Porém, em situações normais de ensino aprendizagem, tal como em regimes presenciais, os conteúdos são devidamente negociados, as actividades são muito bem planeadas e a avaliação da aprendizagem rigorosamente aplicadas.

Garrison, Anderson e Archer (2000), desenvolver uma modelo para ensinar e aprender online, o chamado modelo de “comunidade de aprendizagem”. Para estes autores a existência de três tipos de presenças (presença social, presença cognitiva e presença de ensino) são fundamentais para se efectivar uma aprendizagem profunda e significativa.

Presença cognitiva – esta presença ocorre num ambiente que estimula o desenvolvimento das capacidades do pensamento crítico. O aluno é induzido e estimulado a desenvolver um conjunto de habilidades cognitivas que o projecta em determinados conteúdos.

Presença social – é imprescindível que se crie um ambiente onde os aprendizes se sintam á vontade. Para se poder falar de uma aprendizagem colaborativa em ambiente virtual na sua essência, os intervenientes devem se sentir livres para se expressarem os seus pontos de vista sem receios de qualquer tipo de represálias (por exemplo a avaliação negativa). É importante que se crie um ambiente onde todos possam ouvir e serem ouvidos e onde o respeito pelas opiniões sejam palavras de ordem.

Presença de ensino – não mais importante, contudo extremamente complexo, o professor deve desempenhar cabalmente o seu papel e, a verdadeira presença de ensino implica necessariamente:

1.       Concepção e organização das experiências de aprendizagens que ocorrem em momentos diferentes, ou seja, antes e durante da organização e do funcionamento da comunidade de aprendizagem;

2.       Implementação de actividades que promovem a liberdade para que se discutem os assuntos entre todos os intervenientes do processo de ensino e aprendizagem (alunos e alunos, alunos e professores, individualmente ou em grupo);

3.       Exigência sobre a figura do professor que deva extrapolar os limites, indo muito mais de que um orientador das práticas educativas. É lhe requerido que seja capaz de, usando a sua expertise, fazer emergir novos conhecimentos que serão compartilhados com os seus alunos.

Para solidificar a presença do ensino é importante que o professor:

ü  Conceba e organiza os conteúdos dos cursos, das actividades de aprendizagens e a sua respectiva grelha de avaliação;

ü  Negocia os conteúdos do programa e as actividades como forma de aumentar a autonomia dos alunos e manter também um certo nível de controlo;

ü  Motiva, orienta e apoia a aprendizagem dos seus alunos com recursos a avaliação formativa constantes como forma de fazer um acompanhamento pontual dos mesmos;

ü  Crie a possibilidade dos alunos se aperceberem de quão importante é a sua motivação pessoal sobre os conteúdos e as actividades a realizar para que o seu sucesso seja efectivamente garantido;

ü  Aposta na “interacção didáctica guiada” que possibilitará a apresentação dos conteúdos de uma forma nova e deferente, num estilo conversacional. Este estilo auxilia o aluno a identificar-se de forma personalizada com o professor;

ü  Cria recursos de aprendizagem interactivos e ambientes de aprendizagem colaborativa;

ü  Propõe prazos de elaboração e entrega de tarefas que são realizadas individualmente ou em grupos

 

Segundo Anderson, as várias pesquisas no campo da aprendizagem online, têm proporcionado dois modelos que se concorrem entre si, cada um com a sua plateia de simpatizantes e cada um sustentado pelo seu próprio postulado teórico.

O modelo de comunidade de aprendizagem aposta fortemente na criação de uma sala de aula virtual, com ambiente de aprendizagem que privilegia a comunicação síncrona e assíncrona. A versão sincrónica tem a pretensão de se assemelhar com uma sala de aula de regime presencial, mas por outro lado, quase que “obriga” os alunos a estarem todos no mesmo horário para se poderem comunicar e, esta situação pode agravar quando os alunos são de países e regiões com fusos horários diferentes. A versão assíncrona da sala de aula virtual tem a particularidade de colmatar esta questão do horário, mas também pode proporcionar uma maior dificuldade no tocante á coordenação, fazendo com que os alunos se sentirem um tanto quanto dispersos um do outro, limitando a interacção.

O outro modelo de aprendizagem online, é o chamado modelo de estudo independente, em que o estudante realiza de forma sólida as suas actividades e tem o controlo sobre o seu próprio ritmo de aprendizagem. Este modelo enfatiza o trabalho de grupo e a aprendizagem colaborativa.

Para Anderson, felizmente, é possível conciliar estes dois modelos, ou seja, as actividades síncronas, assíncronas e de estudo independente, todos reunidos num único curso só. Assim, para este autor, os professores devem conceber e organizar o contexto de aprendizagem online que permita mesclar todas as versões e adequá-las as necessidades dos estudantes, às competências e estilo do professor e á capacidade técnica e institucional.

Um outro factor importante para a presença do professor é a forma como encarna o seu papel de facilitador do discurso. O crescimento intelectual do estudante acontece se este tiver a capacidade de produzir o seu próprio argumento para debater, expor suas ideias, construir e reconstruir os seus pontos de vista, criticar, corrigir e compartilhar. O professor deve estar ciente para apoiar regularmente os estudantes, orientá-los nesta caminhada quer seja de forma individualizada quer quando estão trabalhando em grupos.

Portanto, segundo Anderson, uma das tarefas mais importantes do professor que trabalha como ensino online é a de criar um clima de grande confiança nos seus alunos, para que estes podem sentir seguros e motivados para a aprendizagem. se os alunos não se sentirem seguros terão grandes dificuldades em se expressar nos post e nos fóruns de actividades.(…)

 

 

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